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Um Caso de Suicídio


          Certo rapaz, de sobrenome Ribeiro, que fora do Exército, sentia raivosa inveja ante qualquer pessoa feliz, próspera ou bem dotada em inteligência, alegria e beleza. Em tais ocasiões, seu pensamento vibrava ondas de ódio e revolta, ódio por não ter o bem alheio, revolta por não poder destruir a felicidade que coubera a outrem. 
 
          Numa noite, transitando à beira do cais do porto, estrugindo de raiva a propósito de fatos relacionados com grandes venturas de terceiros, mais uma vez ruminou a idéia de morrer, para não assistir ao espetáculo das alegrias e das prosperidades de quem quer que fosse. 
 
          E pensou mesmo no suicídio, olhando para as águas sinistramente quietas do rio Guajará.
Súbito, sentindo uma espécie de impulso - de origem imprecisa, pensou em lançar-se à água, e 
sentiu também que seis vigorosos braços de entes invisíveis o projetavam no rio. Lutou em vão. Sofreu a aflição da asfixia durante um tempo imensurável na sua imaginação, na treva mais completa e no desespero maior que um revoltado possa conhecer. 
 
          Só depois de um período, cuja duração não lhe foi possível medir, sentiu que alguém dele se aproximava e o conduzia ao cenáculo onde fez a sua narrativa e confissão. 
 
          "Sei, disse então, que fui vítima dos meus maus sentimentos. Não me suicidei, verdadeiramente, porque fui precipitado ao rio; mas, esse ato foi provocado por mim, que atraí, por meus sentimentos inferiores, Espíritos capazes de partilhar das tendências malsãs do meu coração, sentindo-se felizes de atirar na desgraça espiritual mais um irmão gêmeo na maldade e no atraso moral. Sei também, agora, que aos maus não faltam auxílios, para a prática dos mais espantosos crimes. Os Espíritos evoluídos, nobres nos sentimentos e grandes no saber, não se acham na 
atmosfera baixa da Terra, e sim em trabalhos de evangelização, socorro e conforto aos sofredores de 
toda espécie; enquanto que os inferiores, a quem a luz da verdadeira religião ainda não iluminou, va- 
gueiam errantes nas ruas e em todos os locais onde encontrar possam "companheiros" de idéias e sentimentos, para expansão dos seus próprios desejos e impulsos de intemperança e mesmo de maldade criminosa. Eu atraí e conservei e aumentei cada vez mais o número desses elementos perniciosos, à força de afeiçoá-Ios com o ímã espiritual dos meus sentimentos de obsidiado pelo mais terrível dos pecados mortais: a Inveja. Se reagisse, tê-I os-ia afastado; ignorante das verdades evangélicas - que só o Espiritismo explica em realidade, afundei no abismo da morte espiritual. Felizes os que repelem os maus impulsos, pois só assim não se tornam futuros escravos dos Espíritos da treva, desses que, no momento oportuno, levam - irresistivelmente - a criatura à prática do crime." 
          Muitas vezes, tal atração tem origem na faculdade mediúnica, infelizmente tão mal conhecida e tão mal estudada. 
Em geral, as criaturas que possuem o dom da vidência, premonição, audiência, e outros, são tidas por "esquisitas" ou influenciadas pelo diabo, de sorte que, quase nunca procuram elucidar o problema, buscando no Espiritismo a explicação de tais dons, de modo a torná-Ios instrumentos de progresso moral, de prosperidade e de paz na vida de todas elas. 
Assim, de educação mal cuidada, a criatura cultiva sentimentos desordenados e incoerentes, de forma a ficar indefeso contra os Espíritos errantes e materialões*, devassos, sem escrúpulos, ébrios, gulosos, assassinos, enfim, que conservam ainda todo o acervo de hábitos e tendências criminosas que exerceram na última encarnação, e dos quais não se libertaram porque permanecem - em Espírito - nos mesmos ambientes e nas mesmas idéias que predo-  minaram nas respectivas existências na Terra.
 
*Obs: materialão que ou aquele que é extremamente materialista
 
Autor: Almerindo Martins Castro
Fonte: O Martírio dos Suicidas.
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