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Drogas - Entenda um pouco mais


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Depoimento de um dependente químico

 
A vida é Incessantemente renovável
 
 
Olá pessoal, meu nome é Rodrigo e quero contar um pouco da minha história para vocês. Uma história que vai da glória à decadência, da alegria à tristeza, do prazer à dor. Aqui, contando a minha história, não espero ser aplaudido ou ser visto como um herói, mas como alguém da vida real, não como contam as novelas, alguém que conheceu os dois lados do espelho, o lado que acreditamos ser real e o lado da insanidade, da loucura e da demência, e que um dia num sopro de Deus, como o abraço de alguém que socorre um doente em estágio terminal, me fez respirar novamente e sentir o prazer de viver em águas tranqüilas.
 
Comecei usar álcool e maconha aos 12 anos de idade em um bairro de periferia na cidade de Piraju, onde eu nasci e fui criado. O motivo pelo qual eu cometi este erro não vale o esforço tentar descobrir, pois são muitos. Um adolescente sem rumo e sem limites não precisa de motivos para usar drogas, simplesmente usa e pronto, afinal não tem nada de errado em “dar um peguinha”. Era o que eu pensava! Mas o que eu não sabia era que ali começava uma longa caminhada rumo à loucura, ao caos.
 
Muitos devem pensar que já estão cansados de ouvir isso e eu também dizia: “Todo mundo diz que começa na maconha e depois vai para drogas mais fortes, isso é bobagem! Comigo isso não vai acontecer, pois eu uso socialmente, não sounóia, além disso eu estudo e cumpro com todas as minhas responsabilidades!”
 
O tempo foi passando e cada vez mais a droga foi se tornando parte importante da minha vida. Depois de alguns anos, conheci a cocaína, o LCD, o êxtase, cogumelo e todos os tipo de alucinógenos, e finalmente o crack que foi a minha queda absoluta. Eu terminei a faculdade, tinha um bom emprego, namorada e tudo o que uma pessoa aparentemente bem possui, mas por trás estava uma pessoa muito doente e que precisava de ajuda. Foi então que eu conheci o crack e a minha vida mudou completamente. Aos poucos fui perdendo tudo, namorada, emprego, a confiança da minha família, meu pai morreu de câncer no fígado, vítima do alcoolismo, até não sobrar mais nada. Os traficantes vinham em casa cobrar meu pai quase morrendo de câncer, minha mãe já não sabia mais o que fazer. Meu pai se foi e quando eu perdi tudo e não tinha mais para onde correr, resolvi pedir ajuda e buscar um tratamento.
 
Fiquei internado durante 9 meses na Comunidade Coração de Maria em Itaporanga – SP. Terminei meu tratamento e estava há 9 meses sem usar nada, mas o homem doente que havia dentro de mim não havia morrido, eu estava sem usar drogas mas continuava a mesma pessoa e achava que poderia fazer as mesmas coisas, freqüentar os mesmos lugares e andar com as mesmas pessoas. Eu estava completamente enganado! A recaída era evidente!
 
Consegui um emprego em São Paulo e bebia nos finais de semana e cheirava cocaína, só nos fins de semana. Achava que ia conseguir manter a minha dependência sob controle, pois quem manda na minha vida sou eu não ela: Sou eu quem está no controle agora! Pura arrogância e auto-suficiência tola, pois aos poucos acabei voltando para o crack, e desta vez bem pior, pois me tornara muito mais compulsivo pela droga, estava em uma jornada suicida.
 
 
Fui parar na cracolândia e ali eu pude ver o que é sofrimento, dor, solidão, horror! Revirava lixo em bairros mais nobres para tentar vender o que eu encontrava, roubava e cometia todos os atos de insanidade, o que fosse preciso para conseguir minha amada droga de desejo. Ela estava de novo imperando sobre minha vida.
 
Vivendo sozinho, sujo e maltrapilho era o fim, estava perdendo as esperanças, queria usar cada vez mais, e não acreditava que conseguiria passar por outra internação. Mas é nos momentos em que o desespero toma conta de nós é que ganhamos coragem e nos prontificamos a fazer qualquer coisa para sair daquela tortura mental, emocional e espiritual. Internado novamente na Comunidade Terapêutica Nova Jornada em Avaré-SP, resolvi fazer diferente, ou seja, o que eu fiz de errado no outro tratamento eu não vou fazer nesse e o que eu não fiz que eu deveria ter feito, tenho que fazer desta vez. Corrigir e aprender com os erros, evitar o que foi motivo de queda, aceitar minhas fraquezas e a minha doença e perceber que não basta querer parar de usar drogas, tem que haver a mudança profunda do ser. Parar de usar drogas é a conseqüência, hoje eu procuro ser uma pessoa melhor para os outros e principalmente para mim mesmo.
 
A minha história é essa e onde houver alguém sofrendo com a dependência química ou familiares de dependentes que não sabem mais o que fazer, espero que o meu exemplo traga conforto e esperança pois sempre haverá outro amanhecer, sempre é tempo de recomeçar”
 
“O segredo está na disposição de se levantar com ânimo e seguir em frente, pois a cada vida que perdemos, estamos ganhando outra! Não existe o fim, além disso, é muito triste a idéia de fim. Vejam as plantas, morre uma e deixa a semente para nascer outra. A vida é incessantemente renovável. Se uma coisa acaba, começa outra e assim por diante! É a Lei da enternidade!
 
Uma grande abraço!”

 

clinica para dependencia

www.clinicareviverpms.com.br
Autor: Rodrigo Longo
Fonte: SOSobriedade - Gabriela Junqueira Balassiano
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