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CEM ANOS DE EVANGELHO COM EURÍPEDES BARSANULFO


 Egoísmo e Caridade

10 de março de 1909

          A eterna Clemência jorre por sobre vós torrentes de clemência, torrentes de bênçãos e torrentes de afeto!

          Há já alguns momentos, que busco tomar de meu irmão médium para dar-vos conhecimento de verdades que buscam o vosso interesse.

          Que as amenas aragens bafejadas pelo hálito divino desabrochem-se pelo seu impulso, o branco pavilhão da paz, do amor e da caridade.

          Caros ouvintes; permita que eu erga entre vós a voz mediúnica para dizer-vos:

          Abrindo a sagrada escritura, detenhamo-nos na análise daquela exuberante máxima que deve constituir o brilhante lema que fulgura em toda mentalidade cristã. Esta máxima divina saída de um coração que baixava pelo ímpeto das harmonias que sabem gorjear as aves mimosas, que passando no teto, ou melhor, nas fibras de um coração, aves cujos gorjeios são gorjeios de ternuras, de mansuetude, de caridade, de afetos e carinhos!

          Procuremos compreender em espírito e verdade a brilhante máxima que Jesus legara à turba popular, que aquecida pelo amor do Unigénito Filho de Deus, D'Ele ouvia: Façais ao vosso semelhante o que desejais que ele vos faça! Ora, ali junto a Jesus, reunidos se achavam o orgulho, o egoísmo, a inveja, a concupiscência, a maledicência; e Jesus servindo-se de seu quase infinito poder necessitava pela palavra de luz dar uma lição ao egoísta, ao invejoso, ao ciumento, em uma palavra, aquele que não sabia respeitar aquele preceito: Amar a teu semelhante da mesma maneira como tu amas a lua pessoa! Encaremos a alta sabedoria do conceito de Jesus, perante esta Assembléia: O egoísta, como a própria palavra o indica, tudo ambiciona para o seu eu, para sua pessoa; ele quer o dourado teto e belo palácio; ele deseja as melhores iguarias que encontrar se pode, na Terra; ele quer ter a última palavra sobre a ciência, quer ter enfeixado em suas mãos toda a fortuna terrena, quer ser o bem tratado em todas as rodas em que comparece, ele ambiciona ser o rei e o senhor de tudo quanto há na terra, nas águas e florestas!

          Mas meus caros irmãos, indaguemos se ele, o egoísta, quer também que seu amigo, a pessoa de sua amizade, aquele com quem convive, seja possuidor dos mesmos bens que ele ambiciona, digamos se ele quer para seu semelhante aquilo que deseja para si. E esgueira-se a esfarrapada, gélida, cambaleante e faminta uma pobre mãe que implorar vai ao grande proprietário de tão belo palácio e de tão sólida fortuna, vai implorar pelo amor de Deus que lhe dê uma esmola, com a qual possa ela matar a fome de seus moribundos filhinhos.

          Oh! O tu que vem quebrar a minha alegria neste momento com tuas importunações! Vil senhora que fazes ao bater a porta ilaquele que te não incomoda, porque tu com teus andrajos rotos e leu asqueroso corpo vem me causar nojo e tédio? Tímida, soluçante cai a pobre mulher de joelhos:

          E com o coração trespassado de dor saí, corri e vim até vós; mas foi aí, a última coisa que faltava para encontrar-me na minha abastança, eu expulsei um mendigo, e sou ainda expulsa! Ó meu Deus, na pobreza eu reconheço a vossa justiça, cá paguei o meu egoísmo e saldei o meu débito!

          O Pai de Infinita Misericórdia; tomai conta de meus filhos, inspirai um anjo que lhe venha fazer ainda a caridade! Está cumprida a última prova!

          Pai; olhai ainda vos suplico. Olhai meus filhinhos!

          Desata-se como um botão de rosa no jardim, aquela alma que estava presa ao corpo, dando uma sábia lição ao endurecido coração do senhor egoísta; desprende-se, recordando-lhe aquela máxima de Jesus: Não queira para o vosso próximo aquilo que não desejas para vós!

          Não é uma fábula que venha trazer a vós para justificação do grande dito do Senhor, é a expressão de um fato ocorrido neste mesmo país em que residis. E eu pergunto a meus caros circunstantes: Vós, quando pensais, falais ou fazeis qualquer ato, interrogais a vossa pessoa: O que estou fazendo neste mundo para fulano, eu quereria que ele fizesse para mim?

          Quando o maldizente põe-se em sala de visitas põe-se a falar, amesquinhando, aviltando, rebaixando uma outra pessoa, se este maldizente penetrasse em um outro salão, e aí encontrasse de quem a pouco falava, dizendo coisas desagradáveis, de certo ficaria contente, satisfeito e alegre. Ou ainda a pessoa dada ao vício, ao roubo que se penetre em seus domínios, e daí tudo carregue? Certo, que não!

          Meus caros ouvintes; a vós, eu recomendo, ponha por prática essa bendita máxima de Jesus, quando vós deixardes pela morte a Terra, de par a par, para vos abrir-se ao mundo da paz, do amor e da pura felicidade! Exercei, portanto esse sublime mandamento e recebereis desde aqui o ósculo do amor do Divino Mestre!

          E vós, de posse do grande conhecimento que: é só com a prática da caridade, que se pode subir até Deus e por nenhum outro modo, façais, portanto, o bem que sempre desejastes que a vós fizesse; e perdoem-me, meus caros irmãos, se tão longamente abusei da vossa atenção, lembrando-vos o dever que tendes a cumprir como discípulo de Cristo! Por isso eu antes de retirar-me desfolharei as pétalas fluídicas da mimosa flor da gratidão sobre vós! Que o infinito constelado chova bênçãos sobre todos que me ouvem.

Paz, Luz e Amor!

Martinho Lutero

 

Autor: Eduardo Carvalho Monteiro
Fonte: Cem Anos de Evangelho com Eurípedes Barsanulfo
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