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Vade Mecum Espírita
Therezinha de Oliveira

Parábolas Que Jesus Contou e valem para sempre - Nota 10

Therezinha de Oliveira

Um caso de Desmaterialização


Descrição da sessão realizada pela Sra. d'Espérance, a 11 de dezembro de 1893, em Helsingfors, na Finlândia, onde o fenômeno da desmaterialização parcial do corpo da médium é comprovado pela vista e pelo tato.
 
 
 
A Sra. d'Espérance teve a bondade, depois da sua estada em Helsingfors, em novembro de 1893, de vir passar na minha casa, em S. Petersburgo, cinco dias, durante os quais deu duas sessões que satisfizeram plenamente os assistentes. Quando voltou para a Suécia, ela passou dois dias em Helsingfors, donde recebi, então, a seguinte carta, escrita a pedido seu
Helsingfors, 15 de dezembro de 1893. Senhor. - Atendendo ao desejo da Sra. d'Espérance, apresso-me a comunicar-vos os detalhes da última sessão que ela deu aqui, em 11 deste mês.
A sessão realizou-se na casa do engenheiro Senhor Seiling, estando tudo disposto quase do mesmo modo que nas sessões precedentes, apenas com a diferença de haver um pouco mais de claridade. Observei o seguinte:
Antes da sessão - A médium entrou no gabinete amplamente iluminado e sentou-se numa cadeira bastante larga e estofada, com o encosto em parte, igualmente, estofado. Tirou o pequeno xale que muitas vezes conservava sobre os ombros, nas sessões precedentes, pois o lugar em que estas se haviam realizado era maior e mais fresco. Propôs, mais tarde, utilizá-lo para atenuar a luz no gabinete, o que foi feito. Tirou as luvas, e meteu-as no bolso. Antes de principiarem as manifestações, nada retirou das algibeiras, nem mesmo o lenço. Notei com particular atenção estes fatos, porque, depois das últimas sessões, algumas pessoas perguntaram se o xale não tinha concorrido para as materializações assim como as luvas, que podiam passar por mãos, se ficassem encobertas pelo xale branco, enquanto a médium, sob o aspecto de um Espírito, passeasse no gabinete contíguo. Ao ligeiro movimento que a médium fez, metendo as luvas no bolso, ouvi uma espécie de ruído de chaves ou moeda no dito bolso. Resolvi acautelar-me com o Espírito e observar se, no decorrer da sessão, esse ruído se repetia, pois alguém do círculo acabava de insinuar que a médium podia muito bem enganar-nos. Pareceu-me impossível que ela pudesse mexer-se sem ocasionar o mesmo ruído. No decurso da sessão, porém, não ouvi o menor barulho desse gênero.
Antes de começada a sessão, observei, ainda, que a médium cruzava as mãos no lado posterior da cabeça, e que, com um movimento de lassidão, estendia-se um pouco na cadeira, apoiando a nuca sobre as mãos. Esse movimento, observado enquanto havia bastante claridade no gabinete, era muitíssimo natural, e fez-me conjeturar que ela havia passado mal à noite no trem que a havia transportado de S. Petersburgo.
Durante a sessão - A sessão começa. No círculo, composto de quinze pessoas, era eu a terceira ao lado direito da médium. O meu lugar era muitíssimo vantajoso tinha a médium diante de mim, num ângulo de 45°, e a parte superior do seu corpo desenhava-se distintamente em meio-perfil na cortina branca que pendia de uma das janelas do gabinete.
Eu estava tão próximo da médium que até podia vê-Ia distintamente na sua toalete clara, com as mãos e os pés estendidos um pouco para fora, e cruzados. Podia, pois, um pouco inclinada para frente, ouvir e ver o menor dos seus movimentos. Não esperamos muito tempo. Uma mão e um antebraço estenderam-se para fora do gabinete, isto é, saíram de dentro do biombo atrás do qual havia um recanto onde ficava a médium. Sobre o fundo branco do cortinado da janela, eu podia, perfeitamente, estudar todos os seus movimentos e os dos seus dedos. O punho era fino, e a mão parecia ser de uma mulher.
Da mão pendia largo pano estofado de tecido transparente como a gaze, através do qual o cortinado da janela era imperfeitamente reconhecível. O estofo parecia mais encorpado do que o da janela.
Por várias vezes, a mão estendeu-se, apertou as das pessoas vizinhas; após isso, retirou-se. Pouco depois, surgiu, do mesmo lado, uma aparição luminosa que estendeu a mão às pessoas que estavam mais próximas. Um membro do nosso círculo, o Sr. Seiling, entregou à aparição uma tesoura e pediu-lhe que cortasse um pedaço do seu véu. A aparição tomou-a e levou-a para a cabina onde estava a médium. Alguns minutos mais tarde, voltou e entregou a tesoura ao Sr. Seiling. Este exprimiu o seu pesar de não ter recebido o pedaço que pedira do véu e solicitou permissão para cortá-lo por si mesmo. Foi-lhe concedido. Ouvi distintamente o ranger da tesoura cortando o pano, e, um momento depois, o Sr. Seiling disse-nos: Ei-lo aqui.
Enquanto os fenômenos se produziam, eu distinguia claramente a médium e suas mãos. Uma vez, inclinou-se ela para diante e voltou à cabeça na direção do fantasma, como que para vê-lo também.
Um fenômeno luminoso produziu-se na tapeçaria, dentro do biombo; dir-se-ia ser uma figura colocada atrás da cadeira da médium. Esta exalou um longo suspiro,
Como se lhe escapasse alguma coisa durante a sessão. O suspiro denotava uma sensação penosa. Depois, pronunciou estas palavras:
- Alguém me tocou por detrás; eu o senti perfeitamente. (5)
O fenômeno acabou. Uma pessoa do nosso circulo pediu à médium que tomasse papel e lápis para o caso de os Espíritos quererem comunicar-nos alguma coisa relativamente aos preparativos a fazer, ou algo desse gênero. A médium não estava muito disposta a isso.
- Talvez que valha a pena perturbá-los para escrever, disse. Entretanto, esperemos.
Tornou-se a fazer o pedido e passaram-se-lhe um lápis e papel. Ela tomou-os, dizendo
- Pois bem, vejamos o que vem.
Distingui nesse momento, muito nitidamente, a médium segurando o papel com uma das mãos e cruzando a outra por cima. Do meu lado, na fenda lateral da cabina, uma mão, um antebraço e uma parte do braço mostraram-se àqueles que, estando sentados muito perto, puderam apertar essa mão. Quanto a mim, contentei-me com agarrar e apalpar um pedaço do longo véu pendente. Parecia um pouco úmido e de tecido fino. A mão pareceu-me maior do que aquelas que eu havia visto até então.
Pouco depois, pela mesma abertura da cortina, apareceu-me uma grande forma luminosa.. Parecia querer sair do gabinete em que estava a médium; deu um passo para diante, mas retirou-se logo. (6)
Imediatamente, vimos um braço saindo do gabinete; estava muito alto, na mesma fenda lateral, e abaixou-se, lentamente, na direção das mãos da médium. No momento de tocá-las arrancou-lhe das mãos, com um movimento rápido como o relâmpago, o papel e o lápis, levando-os para dentro do gabinete. Ouviu-se distintamente um ruído como se estivesse partindo o papel em dois pedaços, após o que a mão saiu ainda e estendeu os dois pedaços de papel ao capitão Toppelius, que os deu à médium. Esta segurava o papel entre as mãos (o lápis não lhe havia sido restituído), quando o braço luminoso abaixou-se novamente, porém com uma lentidão extraordinária, e arrancou, de novo, bruscamente, o papel das mãos da médium, a fim de levá-lo para o gabinete.
Ouviu-se logo o ruído produzido por um lápis escrevendo rapidamente, e, um instante depois, a mão estendeu o papel fora do gabinete. A pessoa mais próxima, o Sr. Toppelius, tomou-o e ia de novo dá-lo à médium, quando a mão (o braço e uma parte do corpo tornaram-se então visíveis), com um movimento decidido, impediu-o de assim fazer, empurrando-o para o Sr. Toppelius, com um gesto significativo, apoiando-lhe contra o peito.
Compreendemos, então, que as palavras escritas eram destinadas ao Sr. Toppelius. Após a sessão, fomos todos lê-lo, e achamos escrito o seguinte: Eu te ajudarei! (Jag skalhjalpa dig.)
Isso estava escrito em sueco, com letras bem legíveis.
Não havia no gabinete cadeira ou mesa sobre as quais se pudesse escrever. Tudo se passou muito depressa e de modo bem nítido.
Enquanto esses fenômenos se produziam, eu via sempre, distintamente, a médium no seu lugar. Ela nos falava algumas vezes. Ao Sr. Toppelius aconselhou que metesse o papel na algibeira, a fim de o ler mais tarde, e isso enquanto a aparição era ainda visível.
De tudo o que se fazia, devo concluir que, no gabinete, duas mãos ao menos operavam sob uma força física, e obedecendo a uma vontade bem determinada. As mãos não podiam pertencer à médium; deviam pertencer à aparição que estava ao lado e por detrás da médium, que estava sentada, cujas mãos vi, bem como o corpo, ouvindo-lhe também um grito de espanto, um oh?, quando o papel foi-lhe arrancado.
Observei, em seguida, que, esperando um novo fenômeno que tardava a produzir-se, a médium, gozando de um momento de repouso entre as manifestações, juntava as mãos atrás da cabeça, como tinha feito antes da sessão. Enquanto permanecia nessa posição, que reconheci ser motivada pelo seu cansaço da viagem, procurei induzir as pessoas mais afastadas a não interpretarem mal esse gesto das mãos sobre a nuca. e seu movimento para estender-se.
Vistos de longe, esses movimentos poderiam ser mal interpretados; mas, nunca quando o eram de perto.
Alguns instantes mais tarde, as mãos da médium tornaram a cair sobre os joelhos. Vi, então, que os tateava, e observei que ela se agitava cada vez mais. Isso me pareceu curioso: inclinei-me para diante, e procurei, com o maior empenho, compreender o que se passava. A médium soltou de novo esse profundo suspiro que fazia supor alguma sensação bem desagradável.
Ainda alguns segundos, e ela disse ao meu primeiro vizinho da esquerda, o Sr. Seiling
- Dê-me a sua mão.
O Sr. Seiling levantou-se e estendeu-lhe a mão. A médium disse, então:
- Toque aqui.
O Sr. Seiling exclamou:
- É extraordinário: eu vejo a Sra. d'Espérance, ouço-a falar, mas, apalpando a cadeira, acho-a vazia; ela não está aqui; apenas cá encontro o seu vestido.
O tateamento parecia produzir uma viva dor na médium; ela, entretanto, convidou, ainda, várias pessoas a irem apalpar a cadeira.
Tomou as mãos do Sr. Toppelius nas suas e passou-as sobre a parte superior do seu corpo, até que, subitamente, tocassem o assento da cadeira; este exprimiu por diversas vezes o seu espanto e assombro, por meio de vivas exclamações.
A médium permitiu que cinco pessoas verificassem o fenômeno, e, de cada uma dessas vezes, parecia sentir uma grande dor. Pediu de beber duas vezes pelo menos e, de cada uma delas, bebia com uma impaciência febril; estava visivelmente angustiada e, enquanto esperava a água, contorcia-se nervosamente.
Sobre o fundo branco da cortina da janela, eu via, distinta e nitidamente, a parte superior do corpo da médium, cada vez que ela se inclinava para diante. Por várias vezes, tateava no ar, procurando uma mão que ela queria guiar para fazer tocar a cadeira e a si própria.
Nessas ocasiões, eu via-lhe distintamente, não só à frente do corpo, mas também as costas, que se destacavam na cortina branca. A forma da sua cabeça desenhava-se tão nitidamente que até pude distinguir-lhe o cabelo. Não posso lembrar-me como a parte superior prolongava-se-lhe abaixo do talhe, mas do que estou certo é de que ela se via ainda abaixo do talhe; o que me pareceu um fato importante é que eu via, durante todo o tempo, a médium da mesma altura que eu.
Uma vez, inclinou-se para diante, como se faz quando se experimenta uma dor violenta. A parte superior do seu Corpo tomou, então, a atitude de quem, estando sentado, cruza as mãos sobre os joelhos e inclina-se acentuadamente para diante.
Nesse momento, ela se achava diante do encosto da cadeira. Não poderia achar-se detrás, o encosto ter-lhe-ia impedido de tomar a posição que eu indiquei. As saias conservavam-se estendidas, como o tinham sido durante a sessão, e se adelgaçavam até os pés. Parecia-me que se tornavam mais fofas à medida que eram apalpadas pelos assistentes.
Alguém do círculo propôs que se terminasse a sessão, visto que já se esgotavam as forças da médium. Mas, esta se opôs e pediu para continuar a sessão, até que suas pernas lhe fossem restituídas.
Continuamos pois, e eu tinha sempre o olhar atento para a parte inferior do corpo da médium, a fim de observar bem a reposição das pernas. (7)
Sem que se produzisse o menor movimento nos seus vestidos, ouvi a médium dizer: Assim vai bem; alguns instantes mais tarde, ela disse vivamente: Ei-las aqui! Quanto às dobras do seu vestido, eu as vi, por assim dizer, encherem-se, e, sem que soubesse como, as pontas dos pés reapareceram cruzadas como o haviam sido antes do fenômeno.
Durante a produção deste, a atenção de todos estava presa à médium. A conversação tinha sido interrompida, tanto com a Sra. d'Espérance como com os membros do círculo, mas estes se agitavam, mudavam de lugar, caminhavam pelo quarto, etc...
Depois de cessado o fenômeno, o biombo atrás do qual se achava a médium foi mudado de lugar. Ela, então, puxou a sua cadeira para diante, temendo que o biombo lhe caísse por cima. Enquanto permanecia assim, sentada longe do biombo, e eu via distintamente suas mãos e seus pés, o biombo, novamente, mudou várias vezes de lugar.
Num momento dado, e a fim de assegurar-me de que eu tinha o espírito lúcido ao fazer todas as observações que acabo de relatar, procurei destacar meu pensamento daquilo que se passava em volta de mim e não fixá-lo em alguma coisa indiferente ao assunto da sessão. Quis reconhecer se o meu pensamento obedecia à minha vontade. Fui bem sucedida. Em virtude desse fato, ouso, pois, afirmar que os fenômenos relatados, por pouco naturais que pareçam à minha razão, foram efetivamente produzidos, e que a médium não fez nenhum movimento que contribuísse para a aparição ou desaparição dos ditos fenômenos.
Depois da sessão - Tive ocasião de ver um pedaço do tecido que foi cortado; era um tecido fino como a gaze, e assemelhava-se a teia de aranha, sendo, porém, mais espesso e forte. Não parecia luminoso na obscuridade.
Entrei em conversação com a médium, a qual me disse ser-lhe desconhecido o fenômeno que acabava de dar-se. Parece-me que, até então, ela não tinha podido observar e comprovar, por si própria, as desmaterializações. Ficara, portanto, extremamente surpreendida quando, ao colocar as mãos nos joelhos, notara que a cadeira estava vazia. Querendo que o fato fosse verificado por outros, pedira ao Sr. Seiling que tocasse a cadeira. Acrescentou que tinha tido a sensação de que a parte inferior do seu corpo estava sempre no mesmo lugar, mas não podia ser percebida pelas suas mãos.
Resta acrescentar que não foi a médium quem comunicou o fenômeno às pessoas presentes, mas sim o Sr. Seiling, quando voltou para seu lugar.
Subscrevo-me, etc.
VERA HJELT. (1)
(5) Em carta posterior a Alexandre Aksakof, a informante diz que viu, na abertura central do gabinete, um busto atrás da médium, e uma mão descer e tocar no ombro desta.
(6) Nesse momento, a informante viu distintamente a médium e a aparição, cuja cabeça se mostrou fora do gabinete.
(7) Durante todo esse tempo, o olhar da Srta. Hjelt estava a seis polegadas de distância das pernas da médium.
Autor: Um caso de Desmaterialização
Fonte: Alexandre Aksakof
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Willian Crooks e Katie King

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